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Entre 1980 e 2012, as taxas de suicídio cresceram 62,5% na população em geral. Na faixa etária dos 15 aos 29 anos, a média aumenta em números alarmantes. Com isso, o Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) criou o Setembro Amarelo.
Visando gerar maiores informações e conscientizar a prevenção ao suicídio, que ocorre entre a sua maioria na adolescência, a campanha ocorre em território nacional desde 2015.
“É preciso termos em mente que crianças e adolescentes se encontram em um longo processo de formação, tanto de seus corpos quanto de seu aparelho psíquico, e por isso nem sempre tem desenvolvidas as ferramentas necessárias para lidar com estresse, frustrações e situações limite de forma satisfatória.” Afirma a estudante de Psicologia, pela UFRJ, Camilla Guarany. O adolescente passa a maior parte do tempo no ambiente escolar e lá cria a continuação do seu círculo social. “Por estarem em desenvolvimento, crianças e adolescentes estão, de certo modo, muito mais expostos à influências do meio do que adultos”. Com isso, é possível ver a importância do papel da escola na construção e constituição do caráter dos seus alunos. Tudo vivido dentro dos portões educacionais é levado para fora do âmbito escolar.
A instituição carrega o peso de ser a referência de um lugar seguro para o aluno. Tal afirmação nem sempre é possível ser cumprida, a realidade do bullying na sala de aula é grave e alarmante. De acordo com o IBGE, através de uma pesquisa realizada com estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental (faixa de 13 até 15 anos), 7,4% dos alunos afirmaram se sentir humilhados e 19,8% dos estudantes contaram ter provocado, caçoado ou humilhado algum colega de turma. Adolescência é um período de inserção social, de se sentir parte de um meio, nossas primeiras relações sociais e amorosas nascem dessa etapa da vida.
“Temos observado um aumento nos quadros de depressão no país, e uma maior procura por psiquiatras e psicólogos pelo público jovem. O bullying muitas vezes aparece na clínica como um disparador de quadros depressivos, embora não seja, de modo algum, o único” explica a Camilla. O papel da escola na prevenção e o diálogo franco com os estudantes sobre as consequências do deterioramento do psicológico da vítima de bullying é uma forma de combater e prevenir possíveis agressões psicológicas. “A inserção de psicólogos nas escolas é uma possibilidade de criar um local de escuta e de promoção de saúde. É essencial que uma criança ou adolescente passando por situações de bullying, desenvolvendo ou já lidando com a depressão tenha uma possibilidade de acolhimento”.
Conversando com psicólogo Jorge Rocha, formado em Psicologia pela Universidade Santa Úrsula, entendemos que o papel da instituição na vida do seu aluno vai além do convívio com outros alunos em sala de aula. A escola molda seu caráter e sua percepção de sociedade. “O papel da escola é fundamental, não só nesta questão, mas em todas, que estão relacionadas ao desenvolvimento Humano e as demandas relevantes do nosso contexto social. A escola deve ser um espaço de orientação a todos que fazem parte da comunidade educacional, além de discussão e reflexão de questões geradoras de conflitos”. Jorge aponta como as escolas podem trabalhar, de forma dinâmica, a prevenção do bullying dentro e fora do ambiente escolar “Através de palestras, filmes, entrevistas individuais…Em um primeiro momento. Quando já existe um caso já estabelecido, é fundamental que os profissionais citados realizem primeiro um diagnóstico preciso do conflito, para que a intervenção seja a mais precisa possível. Importante frisar que as intervenções devem ser sempre na perspectiva da orientação, envolvendo toda a comunidade escolar, inclusive os pais.”
Não faltam representações na dramaturgia das consequências geradas pela falta de intercepção da escola em casos de bullying. No início do ano a série “Thirty Reasons Why” causou um alvoroço necessário e foi fonte de discussões sobre tratamento psicológico, intervenção da escola na vida do aluno, a complexidade do emocional do adolescente e o quão importante o ciclo social gerado na comunidade escolar. Ter o entendimento que o ambiente escolar é o pivô de diversos conflitos internos da criança é saber que atuar e oferecer apoio emocional nunca é demais.
O papel da escola no Setembro Amarelo